Protesto dos operários da GM e a questão da indústria

2 ago

Manifestação na GM (Foto: Divulgação/Sindicato dos Metalúrgicos)

Por volta das 6h30 da manhã do dia 01, cerca de 2 mil operários ocuparam a Rodovia Dutra para protestarem contra o plano para a demissão de 7200 trabalhadores das fábricas da multinacional norte-americana. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a notícia das demissões teve início no mês passado, quando a empresa anunciou que deixaria de produzir mais três modelos de veículos automotivos.

Pode-se verificar, não só através da greve, mas também através de diversas mudanças na economia nacional, que as recentes medidas de “protecionismo” para a indústria, defendidas pelo governo, em nada mudarão a situação combinada por um dueto entre estagnação e queda da produção industrial no país. Num país em que o setor industrial está quase completamente dominado pelos monopólios estrangeiros – principalmente na área da produção de automóveis, onde a presença do capital estrangeiro se estende a 100% do setor – as medidas protecionistas só favorecem as multinacionais que enviam bilhões e bilhões de dólares para o exterior através da exploração da mão-de-obra barata do Brasil. Estima-se que somente as montadoras enviam, anualmente, uma remessa de quase 6 bilhões de dólares em lucros para o exterior. Ao lado dos fabulosos lucros do imperialismo, nota-se a situação frustrante em que o salário dos operários brasileiros nas montadoras não aumenta, mas, ao contrário, só decai por conta do aumento dos preços.

Nota-se logo que os autoelogios levantados pelo gerenciamento Roussef sobre o “combate à pobreza” e sobre o suposto “desenvolvimento com distribuição de renda” não passam de letra morta e palavras vazias quando vemos a situação da desindustrialização do país (em 2011, o peso da indústria no PIB era inferior a 20%) se agravar cada vez mais, movida por uma série de fatores, como a aquisição desenfreada de empresas nacionais pelo capital estrangeiro e pela queda do preço mundial das commodities (que compõem uma parte importantíssima das exportações brasileiras, senão a maior).

Infelizmente, ainda há quem diga que se pode manter um padrão de vida digno para a população com uma economia agroexportadora e com o imperialismo controlando as artérias da produção nacional, mantido pelo assistencialismo do governo. Os que não são ingênuos, naturalmente, denunciam o saque de recursos de nosso país pelos capitalistas estrangeiros, bancado pelo gerenciamento do Estado semicolonial brasileiro.

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