Em São Paulo, 3,4 milhões dizem não à farsa eleitoral

8 out

Após mais um ano de farsa eleitoral, o povo brasileiro demonstra mais uma vez sua insatisfação, mesmo que através de uma maneira não-organizada, através de votos nulos/brancos e/ou abstenções. Em tal época, os partidos de “esquerda” e de direita, juntos ao Estado burguês-latifundiário, se unem numa grande frente reacionária-oportunista para ensinar o povo a “valorizar o voto”, “votar com consciência” ou “exercer a cidadania” – muitos dos ditos partidos autodenominados “comunistas”, ainda que procurem dar desculpas furadas para disputar por cargos no gerenciamento do Estado burocrático, utilizando-se de palavras pomposas como “participação de maneira tática”, “denúncia política” ou “acumulação fria de forças”, etc., na prática legitimam tal processo farsante ao tomarem parte no mesmo, iludindo o proletariado e as massas com propostas demagógicas e liberalóides como “defesa de políticas públicas”, “construção do poder popular”.

Mesmo com bilhões de reais gastos pelo Estado para sustentar tal ilusão contra as massas, mesmo com meses e meses de demagogias e mentiras, tanto pelos partidos de “esquerda” (excluindo-se dessa definição agremiações como PT, PSOL ou PSB) quanto de direita, nada disso foi suficiente para que o povo deixasse de demonstrar sua insatisfação de diversas formas, tanto no número elevadíssimo de abstenções em todos os estados, quanto pelos votos nulos e brancos nas urnas. Ainda que tal descontentamento se manifeste, em grande parte, de maneira desorganizada, sem que seja nucleada por uma visão de mundo proletária e científica (“político é tudo ladrão”, “ninguém presta, tudo safado”), o mesmo abre um enorme campo de atuação para os comunistas, revolucionários e patriotas, conclamando o povo a se organizar em torno dos Comitês de Boicote à Farsa Eleitoral e mostrando-o que as verdadeiras mudanças para o Brasil só virão com a vitória da Revolução de Nova Democracia, com o socialismo e o comunismo.

Para o otimismo das forças revolucionárias, os números que apareceram no primeiro turno das eleições mostram uma situação interessante. Em São Paulo, o “candidato” dos comunistas, ironicamente, venceu. Foram para o segundo turno, candidatos ao cargo de prefeito, o tucano Serra e o petista Fernando Haddad. Sendo o maior colégio eleitoral do país, possui 8.619.170 eleitores. Dentre tal eleitorado da cidade de São Paulo, quase 2,5 milhões de pessoas (aproximadamente 30% do eleitorado) se abstiveram de votar. Mais ainda, em São Paulo, votaram em branco ou anularam o voto, respectivamente, 381.407 (4,4% do eleitorado total) e 516.384 pessoas (5,9% do eleitorado total). Totalizando o número de abstenções e votos nulos/brancos, 3,4 milhões de paulistas (quase 40% do eleitorado total) disseram não à farsa eleitoral. Um número gigantesco, superior em monte aos votos do candidato em primeiro lugar nas eleições do primeiro turno, Serra, com 1,88 milhões de votos (21% do total de votos, em relação ao total do colégio eleitoral em São Paulo).

No Rio de Janeiro, 20,45% do eleitorado (965.214 pessoas) se abstiveram de votar, 318.461 (8,48% do eleitorado) pessoas votaram nulo e 188.862 pessoas (5,03%) votaram em branco. Aqui também, um número altíssimo de brasileiros (quase 35% do eleitorado) tomou consciência de que as eleições não trarão de maneira alguma melhorias para suas condições de existência.

Após tais números, fica muito claro que todos os partidos eleitoreiros estão completamente desmoralizados ante as massas. Aqueles que, ainda que de maneira bem intencionada, participam das eleições sob um pretexto de denúncia política, passam a enxergar que nenhuma denúncia política é feita em propagandas de dez segundos, e que muito menos é necessário pedir licença aos carrascos de nosso povo para fazer qualquer denuncismo. Enxergam muito bem que aqueles que, no passado, usaram tal palavra de ordem demagógica para conseguir alguns cargos na gestão do Estado burguês-latifundiário, figuras como Aldo Rebelo, como Orlando Silva ou Manuela D’Ávila, são hoje não os “denunciadores”, mas sim os maiores defensores do parlamento burguês, das eleições e do próprio velho Estado.

Damos nossos humildes apelos – aos revolucionários, para que aproveitem o segundo turno (que acontecerá em 50 cidades, das quais 17 capitais) para denunciar a farsa das eleições como mais um meio do imperialismo, da burguesia burocrático e dos latifundiários manterem a mesma situação de miséria e exploração contra a classe operária, contra os camponeses e o povo. Às massas, conclamamos a dizerem não mais uma vez à farsa das eleições, e que se unam aos revolucionários na luta ininterrupta pelo socialismo e o comunismo em nossa Pátria.

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Uma resposta to “Em São Paulo, 3,4 milhões dizem não à farsa eleitoral”

  1. Eduardo 31 de outubro de 2012 às 08:22 #

    Em primeiro lugar, gostaríamos de saudar os companheiros do Coletivo Bandeira Vermelha. Em segundo lugar, dizer que graças a iniciativas como essas, o povo começa a se levantar, mesmo que ainda de forma desorganizada, mas com certeza mostrará sua força de forma organizada assim que fazer a mascara do oportunismo e do revisionismo cair. As eleições municipais desse ano vieram com um sabor de derrota para esse processo putrefato, que só serve para legalizar a burguesia e o latifundiário em sua exploração e opressão, além de dar sobrevida a esse combalido sistema de exploração e opressão ao povo pobre.
    “Só os canalhas e os tolos, podem acreditar que o proletariado deve primeiro conquistar a maioria nas votações realizadas sob o jugo da burguesia, sob o jugo da escravidão assalariada e que só depois deve conquistar o Poder. Isto é o cúmulo da estupidez ou da hipocrisia, isto é substituir a luta de classes e a revolução sob o velho regime, sob o velho Poder.” Lenin
    Esse pequeno trecho, retirado dos alfarrábios da literatura marxista, traz-nos a respostas a todos esses que creem em outro caminho para a tomada do poder absoluto pelo proletariado e tentam afogar o caminho da revolução, colocando no percalço vários adjetivos, pois temem que as massas tomem seu verdadeiro papel na História e a faça. E não será com flores!
    Mas, gostaríamos de ressaltar, que não falta vontade de aumentar o repúdio a farsa eleitoral, porém devo dizer que os números da eleição em SP foram 2.522.682(entre abstenções, nulos e brancos), no mais, parabenizamos o site e o vosso Coletivo.
    Saudações de Nova Democracia e que: “As massas fazem a história”

    Comitê de Boicote a Farsa Eleitoral de SP

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