Agressão imperialista no Mali

19 jan
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Tropas francesas mobilizadas para a nova redivisão da África

A atual situação no Mali tem início na rebelião tuareg de 2012, uma guerra de independência contra Mali travada em Azawad, no deserto do Saara. Revoltas dessa população nômade e islâmica, que ocupa Argélia, Líbia, Níger, Mali e Burkina Faso, ocorrem desde 1916.

A rebelião foi liderada pelo Movimento Nacional para a Libertação de Azawad (MNLA), formado por antigos insurgentes, assim como por soldados que lutaram para o Conselho Nacional de Transição e para o Exército Líbio. A raiz do evento está no ataque militar da OTAN contra a Líbia, em 2011:

Sob o governo de Kadafi, as tribos e minorias étnicas tinha relativa autonomia e liberdade; mas quando a OTAN começou sua ofensiva, muitas dessas minorias lutaram contra as forças reacionárias apoiadas pelos EUA, França e Reino Unido.

Um dos grupos afetados na guerra líbia foi o povo tuareg, que deixou a Líbia depois que Kadafi foi brutalmente executado pelos lacaios do imperialismo. Quando cruzaram o Níger e o Mali, começaram a lutar por uma Mali independente do domínio estadunidense e francês.

Um mês antes das eleições malinenses, no dia 22 de março, o presidente Amadou Toumani Touré é deposto por um golpe de Estado de soldados amotinados sob a bandeira do Conselho Nacional para a Restauração da Democracia e do Estado (CNRDR) e, posteriormente, o grupo islamista Ansar Dine se une à rebelião, disputando territórios com o MNLA. No lugar de Touré, assumiu o capitão Amadou Haya Sanogo, que recebeu treinamento militar nos EUA, segundo um oficial da defesa dos EUA, Patrick Barnes.

No dia 17 de julho de 2012, os tuareg foram expulsos pelo Ansar Dine e pela Al Qaeda, provocando o surgimento de um mini Estado fundamentalista islâmico no norte do Mali.

Mais recentemente, dia 13 de janeiro, Sanogo pediu ao presidente da França que houvesse intervenções militares para deter aqueles grupos armados. O pseudo socialista François Hollande aceita o pedido e ordena a invasão, que também tem ajuda dos EUA. A ofensiva militar tem consentimento do Conselho de Segurança da ONU e respaldo logístico do Canadá, Dinamarca, Bélgica, Espanha e Reino Unido.

Os EUA estão expandindo o AFRICOM (Comando dos Estados Unidos para África, um dos seis quartéis-generais militares regionais do Departamento da Defesa) e, com ajuda da França, pressionam a Algéria por “direitos de base militar”. A base na Algéria será provavelmente usada para lançar ataques contra o Mali. EUA, França e Reino Unido intervem imensamente na Costa do Marfim, Líbia, Somália, Congo, Uganda e Sudão do Sul. Os EUA busca a construção de novas bases militares para o seu AFRICOM.

O plano das intervenções, ao que tudo indica até agora, é a recolonização da África. Enquanto os países imperialistas e pretensamente “desenvolvidos” se mostram ao mundo, publicamente, como “defensores da liberdade” (nem entraremos na questão de quão vazios são os termos “liberdade”, “igualdade”, etc), são os maiores opressores dos povos no mundo, caso seus interesses estejam no caminho contrário aos dos “donos do mundo” ou simplesmente não estejam os satisfazendo da maneira que gostariam. Devemos, portanto, apoiar toda e qualquer oposição legítima ao imperialismo, porque existe algo que está acima de qualquer objetivo dominador e mesquinho: a autodeterminação dos povos e a luta do proletariado por sua libertação da opressão capitalista!

COLETIVO BANDEIRA VERMELHA

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