Um ano do Massacre do Pinheirinho relembra a fascistização crescente do velho Estado brasileiro

20 jan

Neste dia 22 de janeiro de 2013, completará um ano o famoso “Massacre do Pinheirinho”, que, tendo como palco a cidade de São José dos Campos, foi acobertado de maneira macabra como uma simples “reintegração de posse”. Para os grandes monopólios de imprensa que controlam mais de 70% das informações rodadas tanto a nível impresso quanto televisivo ou pela Internet, o assunto já caiu no esquecimento. No máximo, será objeto de uma notinha de rodapé. O povo, contudo, jamais esquece. Jamais as 1500 famílias de moradores, quase 8 mil pessoas, esquecerão do dia em que amanheceram sob chuvas de balas e bombas do braço armado do velho Estado burguês-latifundiário, e, da noite para o dia, foram despejados e viram suas vidas desabarem.

Embora houvessem existido tentativas de não se resolver o conflito por meio da violência, no final, para os moradores, sobraram somente balas de borracha, cacetetes, bombas de gás lacrimogêneo e sprays de pimenta. O despejo das milhares de famílias relembra de maneira caricatural todas as outras situações nas quais o Estado das classes dominantes passa por cima de suas próprias leis quando necessário extrair o lucro máximo e massacrar o povo. Pelo jeito, toda a demagogia acerca da “função social da propriedade”, expressa na própria Constituição Federal, fez-se letra morta quando o latifúndio urbano de 130 mil hectares, propriedade da empresa falida Selecta S.A., não foi desapropriado em benefício daquelas famílias que ali viviam há quase uma década. A empresa devia mais de R$10 milhões somente em IPTU e, ironicamente, o credor da dívida era a própria cidade de São José dos Campos. Uma semana depois do despejo, o terreno não era nada mais que um amontoado de ruínas: o próprio Estado fez com que o mega-especulador Naji Nahas, dono da Selecta S.A., economizasse os gastos que teria com a “limpeza” do terreno. O velho capitalismo burocrático brasileiro fez ali sua escola.

Como pode haver em tal mundo tamanho cinismo por parte do governo, ao dizer que “apesar do tamanho da operação” e da “ordem judicial de integração de posse”, “não houveram registros de mortos ou feridos graves”, e que os “moradores concordaram em sair pacificamente”?! Os depoimentos de moradores na época, assim como os fatos, contradizem essas declarações mentirosas:

“Jogaram spray de pimenta nas crianças, nas mulheres. Não respeitaram ninguém, não houve respeito algum. Eu estava lá dentro e saí correndo. Mal pude colocar a roupa, meus documentos ainda estão lá […] O policial falou que ia me agredir, eu a criança de cinco meses no braço […]”;

“Nós estávamos dentro de casa, não estávamos atingindo ninguém. Estávamos tentando nos esconder das bombas de gás, mas jogaram dentro de casa. Queriam que a gente corresse pra onde, se o único lugar pra qual tínhamos para correr era pra dentro de casa? […] As crianças todas passaram mal, uma quase desmaiou”;

“A Guarda Municipal acabou de atirar numa moça. Segundo meu filho que estava lá dentro, mataram mais um. Uma moça. Eles estão atirando em todo mundo lá dentro, […], dentro do polo esportivo”;

“A polícia estava nos massacrando, jogando bomba de efeito moral. Tem um monte de criança lá. Bombas de pimenta, as crianças estão todas passando mal, já saíram duas ambulâncias levando crianças que estavam passando mal. A Guarda Civil está atirando de verdade, já até aleijaram um companheiro nosso que está agora no hospital”;

“Meu marido foi baleado pela Guarda Municipal, pelas balas da Guarda Municipal, aqui. Nós não estávamos confrontando, estávamos indo embora para proteger nosso bebê de dez meses. E ele, para me proteger e proteger o bebê, entrou na frente e foi baleado. Ele está agora no hospital da Vila Industrial e seu estado é grave.”

Um ano depois, a área que outrora foi o Bairro do Pinheirinho, é hoje somente um enorme matagal, com cercas e seguranças espalhados para evitarem novas retomadas no local. A calçada ao lado do bairro testemunhou o surgimento de uma massa enorme de usuários de crack, com os moradores jogados para as drogas, para a mendicância e, em vários casos, para a prostituição. A maioria das famílias continua desabrigada até os dias de hoje. Muitas se mudaram para barracos. A camareira Charlene Silva, de 29 anos, que na época do despejo estava grávida de seis meses e tinha também duas filhas, diz hoje: “Dormia no meio de pombas mortas, de gente usando droga. Eu quase perdi o meu bebê, minha filha recém-nascida vive doente.”

O cabelereiro Jaime Rocha do Prado, de 62 anos, ex-morador do bairro do Pinheirinho e coordenador da capela da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que recebeu uma parte das famílias desabrigadas, lembra: “Muitas pessoas tiveram crises de depressão, ansiedade. Eu mesmo engordei dez quilos.”

No dia da reintegração, a faxineira Tereza Meireles, de 50 anos, seguia para a missa matinal quando cruzou com a Tropa de Choque da PM. Teve 10 minutos para juntar peças de roupa e deixar o local. Hoje, mora em uma casa paga com o mísero bolsa-aluguel de R$500,00 pago pelo governo. “Durmo imaginando que isso não é meu”, diz ela.

Da nossa parte, faremos todos os esforços para que a ação nazi-fascista do gerenciamento Cury-Alckmin contra o povo jamais seja esquecida e que esteja na boca da massa. É necessário que as grandes massas populares estejam a par da crescente fascistização do velho Estado para que possam combatê-lo da maneira mais eficiente, empregando a justa violência revolucionária sempre que for preciso.

PM invade o terreno do Pinheirinho em 22 de janeiro de 2012

PM invade o terreno do Pinheirinho em 22 de janeiro de 2012

Ação terrorista da Polícia Militar

Ação terrorista da Polícia Militar

Moradores despejados

Moradores despejados

Moradores despejados

Moradores despejados

Moradores despejados

Moradores despejados

COLETIVO BANDEIRA VERMELHA

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