Primeiro de Maio, Dia do Internacionalismo Proletário

30 abr
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Mártires de Chicago

Neste 1 de maio de 2013, comemoramos os 127 anos do Dia do Internacionalismo Proletário. O primeiro de Maio de 1886, marcado pelas históricas greves e batalhas operárias de Chicago, Estados Unidos, foi o dia em que os grandes mártires da luta da classe operária, Albert Parsons, Adolph Fischer e George Engel verteram seu generoso sangue para impor sobre a burguesia norte-americana e internacional aquela que era a principal reivindicação dos trabalhadores a nível mundial: a jornada de trabalho regularizada de 8 horas. As enormes manifestações de Chicago duramente reprimidas pela burguesia, longe de enterrarem o movimento popular e a luta pela jornada de 8 horas, fez somente aumentar a revolta do povo e o ímpeto pelo prosseguimento das grandes demonstrações. Graças à enorme pressão popular, foram libertados anos depois os operários Michael Schwab, Oscar Neebe e Samuel Fielden.

Após sequências de grandes lutas, enfim o proletariado norte-americano conquistou o direito às 8 horas diárias de trabalho.

Àqueles que deram suas vidas pela vitória da classe operária, lembramos constantemente. Tais heróis são e serão para sempre a grande fonte de inspiração dos comunistas brasileiros em sua luta revolucionária.

No momento atual da crise do sistema imperialista, em que os direitos conquistados após décadas de luta e rios de sangue derramados pela burguesia seguem sendo crescentemente arrancados e ameaçados, faz-se necessária uma correta análise da situação atual para que a luta revolucionária do proletariado brasileiro prossiga a passos largos. Aproveitamos a oportunidade do Dia do Internacionalismo Proletário para fazer um breve balanço sobre a situação de nossa classe operária desde o início da década de 2010.

IMPERIALISMO, GRANDES CAPITALISTAS E LATIFUNDIÁRIOS GANHAM EM CIMA DA SANGRIA DO PROLETARIADO

Os últimos anos da década de 2010 foram particularmente duros para a classe operária brasileira. Nos canteiros de obras da construção civil, nas carvoarias, mineradoras, usinas e fábricas, jamais se registraram tantos casos de operários trabalhando em condições insalubres, enfrentando longas horas de jornada de 14 a 16 horas por dia (excedendo as 8 horas fixadas por lei). Nas tecelagens e canteiros de obras, milhares de operários foram descobertos trabalhando em regime de servidão por dívida, sem o direito sequer de deixarem seus locais de trabalho sem a supervisão de seus chefes. Nas usinas hidroelétricas, não faltam as “Força Nacional de Segurança Pública”, as “Cotar” e demais pistoleiros para fazerem nossos operários trabalharem com fuzis em suas cabeças e em regime de cativeiro, como verdadeiros escravos assalariados, para servirem ao bel prazer do lucro máximo das grandes potências e de seus lacaios internos (Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, etc.).

No interior do país, os “bóias-frias”, proletários e semiproletários do campo, seguem submetidos à mais vil exploração por parte dos usineiros e dos latifundiários, sem quaisquer telhas de direitos, recebendo miseráveis salários por peça e se embriagando com crack e bebidas para suportarem as longas horas de trabalho. Após alguns meses de jornada, já se encontram mutilados física e mentalmente, prontos para serem jogados para as ruas como lixo inutilizável e serem assassinados por grupos de extermínio comandados pelas próprias polícias militares.

Também no interior, a ação anti-econômica e pró-imperialista do latifúndio semifeudal tem causado verdadeiros golpes contra a economia da nação. A ruína permanente da economia camponesa explorada pelo feudalismo, seu baixo nível técnico e de capitalização a tem deixado por conta e risco dos fatores puramente geográficos – a região nordeste do país, grande polo agropecuário do Brasil, passa há mais de um ano pela sua pior seca em cinco décadas. A produção das lavouras despencou em milhões e milhões de toneladas. Dezenas de milhares de cabeças de gado foram perdidas.  Os preços dos alimentos aumentam em níveis exponenciais e os salários, em sentido contrário, despencam. Só no estado da Paraíba, o preço do quilo do feijão aumentou em 50% desde o início do ano – a nível nacional, desde 2003 o preço de tal componente essencial da cesta básica aumentou em mais de 200%. A ação do latifúndio semifeudal, somada à desindustrialização e a mais uma série de fatores, colocou o atual salário mínimo nacional, de 678 reais, com um poder de compra inferior ao de 1983 – mais de 30 anos atrás – quando em plena crise do choque do petróleo o poder de compra do salário ainda conseguia ser equivalente ao de 683 reais atuais.

Camponeses perdem suas lavouras no estado do Piauí

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No Nordeste, camponeses estão sem comida e água há mais de um ano. A destruição das lavouras causam verdadeiros golpes contra a economia nacional

O famoso ditado já dizia que “os fatos são teimosos”, e a despeito do enorme esforço do atual governo de esconder a catastrófica situação pela qual passa nosso país, investindo rios de dinheiro em publicidade, a realidade está aí para demonstrar que somente atraso, repressão e miséria é o que reserva ao proletariado e às grandes massas populares o regime brasileiro semicolonial e semifeudal de grandes capitalistas e latifundiários serviçais do imperialismo.

Porém, não é somente o pauperismo e a degeneração que o sistema de opressão e exploração traz ao proletariado. Com a crise, cada vez mais o proletariado se convence que não há saída para sua grave situação dentro do sistema de exploração do homem pelo homem. O oportunismo, que durante mais de três décadas agiu como uma verdadeira camisa de força contra o avanço do movimento operário brasileiro entra em decadência e não mais lhe engana. O proletariado vê a necessidade de se organizar num partido proletário para lutar contra o capitalismo burocrático e por sua libertação.  Aumenta sua decisão e firmeza revolucionárias.

A OFENSIVA DO PROLETARIADO

Ao lado das duras ofensivas por parte das classes dominantes reacionárias contra as condições de vida do proletariado e das massas, a década de 2010 foi marcada também por ofensivas ousadas do proletariado a nível nacional. Eclodiram manifestações e greves que demonstraram a firme vontade dos operários de levar a cabo a luta contra a grande burguesia e o imperialismo.

Em Rondônia, desde o início do ano de 2011, o canteiro de obras da Usina Hidroelétrica de Jirau tem sido um verdadeiro palco de rebeliões operárias. Os trabalhadores da Usina, em sua grande maioria aliciados em povoados rurais de outros estados, principalmente no Nordeste, eram enganados por propostas milagrosas de grandes oportunidades de emprego e moradia em Rondônia. Ao chegarem aos locais de trabalho, os operários descobriam que os salários pagos eram na verdade em muitas vezes inferiores àqueles que lhes eram prometidos. Muitos já haviam contraído dívidas impagáveis, que já os colocava submetidos ao regime de servidão por dívida. As condições de trabalho e moradia também nada tinham a ver com as promessas que lhes eram feitas: Os operários eram obrigados a dormir em alojamentos precários, muitas vezes sem água ou luz. A alimentação quase sempre estava estragada. Com frequência aconteciam acidentes que matavam e mutilavam operários por conta da falta de segurança e péssimas condições de trabalho. Horas extras não pagas contribuíam também para martirizar a classe operária de Jirau.

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Operários em greve na Usina Hidroelétrica de Jirau

Diante deste quadro, em Março de 2011, cerca de vinte mil operários da Usina Hidroelétrica de Jirau iniciaram a greve contra as humilhações praticadas pelos patrões. Entre as reivindicações dos operários, estavam o fim da imposição de trabalharem sob chuvas, o fim dos “descontos” nas cestas básicas, melhorias nos transportes, médicos ginecologistas no ambulatório da obra, que fossem melhoradas a água e a alimentação, aumento de 30% dos salários, plano de saúde extensivo e gratuito para sua família, e entre outras demandas.

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O operário Raimundo Braga foi torturado durante várias horas sob a acusação de participar de “atos de vandalismo”, e segue até hoje sendo perseguido pelo Estado brasileiro

Contra a justa greve dos operários de Jirau, foi enviada pelo governo a “Força Nacional de Segurança Pública” para reprimi-los a ferro e fogo, demonstrando de maneira definitiva que, para a grande burguesia brasileira, as greves devem ser tratadas como caso de polícia. O saldo da repressão da Força “Nacional” contra os trabalhadores foi de dezenas de “desaparecidos”, operários torturados e mortos. Apesar da crescente militarização do canteiro de obras de Jirau por parte do Exército, polícia e demais destacamentos do braço armado do velho Estado, a luta dos operários de lá prossegue.

No ano de 2012, em Pernambuco, 50 mil operários dos canteiros de obras do Complexo Industrial Petroquímico de Suape fizeram uma combativa greve em resposta aos baixos salários e às insalubres condições de trabalho impostos pelos empresários.  Os operários das obras passaram a reivindicar, em meados de julho de 2012, o reajuste salarial de 15%, além de outras reivindicações como o aumento de 100% no valor das cestas básicas e o aumento de dias disponíveis para visitas às famílias em outros estados.

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Greve dos operários do Complexo Industrial de Suape

A par das constantes pressões dos operários para terem suas reivindicações atendidas, os pelegos do sindicato patronal Sintepav-PE, ligados à Força Sindical, rechaçaram todos os pedidos dos operários e combinaram com a direção das construtoras um reajuste de somente 10,2%. Após saberem do conluio entre os sindicatos patronais e os empresários para atentarem contra suas demandas, os operários fizeram uma enorme rebelião e apedrejaram o carro de som do sindicato pelego.

Como sempre aconteceu nas grandes rebeliões populares do povo brasileiro, o governo federal ordenou uma brutal repressão contra os grevistas. Em contrapartida, os operários resistiram, jogando pedras contra a polícia e incendiando vários ônibus. A polícia militar chegou rapidamente ao local da revolta já disparando contra os operários, deixando dezenas deles feridos. Um trabalhador foi assassinado pela polícia, outro foi baleado na cabeça por um segurança do sindicato patronal. Mesmo vinte dias após o fim da rebelião, quando os operários retornaram ao trabalho sem conquistas concretas, o governo e os sindicatos patronais faziam mil manobras para criminalizar os grevistas – em 7 de agosto de 2012, o Tribunal Regional do Trabalho caracterizou a greve como “ilegal” e determinou o corte dos salários dos grevistas nos dias parados, assim como a suspensão da cesta básica. Os sindicatos patronais faziam coro com as instituições do governo e atacavam os grevistas como “vândalos”, e a greve como “uma ação de pequenos grupos encapuzados”. Além disso, foram demitidos sumariamente por “justa causa” quase mil operários acusados de “vandalismo” (leia-se: por lutarem por suas condições de existência).

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Operário de Suape baleado pela polícia

Aqui, mais uma vez o velho Estado brasileiro burguês-latifundiário fez sua escola. Ainda que não tenha logrado sucesso, a grande rebelião de Suape foi um acontecimento de suma importância para a história da classe operária brasileira, que demonstrou seu heroísmo, combatividade e disposição para a luta.

Merece destaque especial a grande revolta operária que teve lugar no estado de Mato Grosso, no canteiro de obras da Usina Hidroelétrica de Colíder, em fevereiro de 2013. Há meses, o canteiro de obras da usina vem sendo vítima de críticas por conta do elevado número de acidentes de trabalho e más condições de segurança nas obras. Em julho de 2012, o operário Jonas da Silva Santos, de apenas de 19 anos, foi soterrado após um desmoronamento em que quatro caminhões e um trator tombaram. Até hoje, seu corpo não foi encontrado e a busca pelo mesmo foi suspensa, sob o pretexto de que a busca estava sendo realizada em área de risco.

Após receberem a notícia por parte dos patrões que não receberiam pelas horas-extras que deveriam realizar durante o período do carnaval, dois mil operários da usina levaram a cabo uma gigantesca revolta na noite de 11 de fevereiro: incendiaram alojamentos, o prédio da administração e carros do local. Ao contrário do que se passou nas greves de Jirau e Suape, desta vez a “Força Nacional” não pôde agir como bem entendeu – os trabalhadores imobilizaram seguranças e vigias da usina, e expropriaram suas armas para dar início à luta armada. Em Colíder, os operários seguem até hoje armados e organizados, prontos para combaterem a polícia em prol de suas reivindicações.

PERSPECTIVAS

Sem qualquer sombra de dúvidas, os fatos demonstram que, tanto no Brasil quanto na esmagadora das semicolônias do mundo, encontramo-nos numa situação revolucionária em desenvolvimento. As condições objetivas (a carestia, os levantes espontâneos das massas, a crise do sistema semicolonial e semifeudal, etc.) para o triunfo da Revolução democrática anti-imperialista e anti-feudal ininterrupta ao socialismo já estão dadas, faltando o fator subjetivo, como a educação das massas na ideologia Marxista-Leninista-Maoísta, a organização das massas em torno de reivindicações concretas econômicas e políticas e a mobilização correta para cumprir as tarefas revolucionárias que se encontram na ordem do dia. Lançar as massas para a Revolução será uma tarefa que caberá a todos os comunistas, tarefa esta tão louvável quanto necessária.

Saudamos todos os operários e camponeses brasileiros que combatem sem cessar o Estado burguês-latifundiário e que lutam de maneira heroica por suas condições de existência. Saudamos todos os democratas, intelectuais revolucionários e patriotas de boa vontade, que desprendem enormes esforços todos os dias para compreender e defender nosso país, sempre cooperando com as massas básicas que são os operários e camponeses.

Saudamos os combatentes que lutam pela libertação nacional na Líbia, Iraque, Afeganistão e Curdistão, contra a crescente colonização de seus territórios pelo imperialismo norte-americano e europeu.

Saudamos a todos os autênticos Partidos Comunistas que lideram as Guerras Populares e as Revoluções proletárias em seus respectivos países, no Peru, na Turquia, na Índia e nas Filipinas.

Saudamos a todos os povos em luta, em especial o bravo povo coreano que luta com armas para abater o imperialismo norte-americano, para defender sua Revolução e construir o socialismo. Saudamos o povo de Cuba, que há décadas sobrevive a ferro e fogo lutando contra o imperialismo norte-americano e para manter as conquistas de sua Revolução. Saudamos o bravo povo venezuelano, que luta de maneira heroica para concretizar sua independência nacional e rechaçar as manobras desestabilizadoras por parte do imperialismo norte-americano e seus lacaios, acaudilhados em torno de Henrique Capriles.

Viva ao Primeiro de Maio, Dia do Internacionalismo Proletário!
Viva aos povos em luta! Viva ao socialismo!

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