O pronunciamento de Dilma e os descaminhos das manifestações

25 jun

O pronunciamento de Dilma e os descaminhos das manifestações

Os temas das manifestações ainda seguem, atualmente, em voga. Sublinhamos inclusive que, após a manifestação do dia 20 de Junho, em São Paulo, que testemunhou um grande confronto entre democratas e fascistas na cidade, após a hegemonização dos protestos pela reação, tal tema causa maior interesse entre as grandes massas do povo que ainda permanecem longe das ruas. Há algumas horas, após a gerente Dilma Rousseff ter realizado seu pronunciamento onde fala sobre os supostos “cinco pactos para melhorar o Brasil”, pudemos ver que muitas confusões ainda subsistem na esquerda em geral, entre os democratas, progressistas, patriotas, socialistas, etc. Diante da importância de tais eventos, não podemos deixar de manifestar nossa opinião sobre os fins gerais nos quais, a nosso ver, tais movimentos poderão desembocar.

Os três caminhos a serem seguidos pelos protestos

Após certa experiência adquirida nas lutas urbanas e nos combates que aconteceram durante os protestos, refletimos que, atualmente, existem três caminhos nos quais podem desembocar as manifestações de massas:

1) O primeiro, e menos provável, é o de radicalização das lutas de massas dirigidas contra o velho Estado burguês-latifundiário e seu braço armado. Com o avanço do trabalho de massas feito por um verdadeiro Partido Comunista, revolucionário e Marxista-Leninista, as massas avançariam em sua experiência de luta, seriam livradas da influência do oportunismo, do reformismo e do fascismo e, a partir daí, poder-se-ia formar firmes quadros comunistas para o avanço da luta. Como já havíamos dito, contudo, tal possibilidade é a menos provável de acontecer, devido à inexistência, no Brasil, de um Partido Comunista verdadeiro, grande e organizado, capaz de influenciar de maneira concreta nos acontecimentos políticos.

2) O segundo caminho, mais provável de se tornar realidade, é o da “domesticação” e pacificação gerais do movimento de massas pela ação em conluio da velha imprensa reacionária com o oportunismo, representado principalmente pelo “Partido dos Trabalhadores”. O PT, no papel de partido socialdemocrata (ainda que em sua versão subdesenvolvida), oportunista e de gerente do Estado semicolonial, busca manter a estabilidade política de seu governo por meio da coorporativização do povo e total castração de sua capacidade combativa. Apesar de pontuais divergências com a velha imprensa, tal organização age, aqui, em total harmonia com a mesma. O pronunciamento feito no último dia 24 de Junho pela gerente Dilma Rousseff confirmou, de fato, que tal caminho é o que busca o PT.

3) O terceiro caminho, um caminho real e sem sombra de dúvidas o mais perigoso para todo o proletariado, é o da “radicalização ao avesso” do movimento de massas. Quer dizer, o da radicalização do movimento de massas que se volta não contra o velho Estado burguês-latifundiário e suas instituições, mas contra os partidos democráticos, socialistas, comunistas e contra as organizações sindicais. Após a cooptação geral da manifestação de 20 de junho pela reação, em São Paulo, pudemos presenciar tal fenômeno de maneira mais explícita. O fascismo se manifesta na forma de “antipartidarismo”, “antipetismo” e de um “nacionalismo” vazio. Infelizmente, muitos companheiros de outras organizações ainda prezam por deficiências em compreender tal questão. Ao contrário do que possam parecer para certos indivíduos, as recentes manifestações que foram tomadas por slogans desse tipo estavam longe, muito longe de ser “levantes populares contra o revisionismo” ou “levantes das massas contra os oportunistas”. Cabe lembrar que o fascismo, a princípio, aparece como um movimento de massas, com palavreados demagógicos anticapitalistas genéricos (“contra a corrupção”, etc.) e mesmo em defesa da violência. O fascismo, em sua forma de “antipartido”, ataca todos os partidos políticos, socialdemocratas, burgueses, comunistas, socialistas, democratas, revisionistas e oportunistas. Num momento de crise geral do capitalismo, não importa para a burguesia manter sua dominação através dos velhos métodos do parlamentarismo, mas através da abolição do parlamento e declaração da abertura ditadura fascista sobre o proletariado e as massas. Os rumos tomados pelas manifestações evidenciam uma vez mais que, sem a atividade consciente de um partido revolucionário, nenhuma transformação de fundo poderá se concretizar em nosso país. A tentativa da grande burguesia brasileira de hostilizar os partidos não visa, obviamente, atingir organizações burgueses e revisionistas, mas sim as organizações do proletariado revolucionário. Não podemos esquecer dessa lição ensinada pela história do movimento revolucionário com diversas experiências na Europa (fascismo, nazismo) e também América Latina (ditaduras militares). Com essas afirmações não pretendemos estimular um “pessimismo” dentro da esquerda, mas sim traçarmos uma correta analise da realidade brasileira atual para melhor intervimos nela. Ao participarmos das manifestações temos como objetivo “aprender com as massas”, ouvir suas demandas e demonstrar-lhes a necessidade da luta pelo socialismo, sempre com a bandeira vermelha em alto.

O conteúdo do discurso de Dilma e os seus “cinco pactos”

No discurso que fez à nação, Dilma Rousseff enunciou “cinco pactos” para estabelecer um suposto “acordo político” entre o governo e a população que está nas ruas. O discurso, como não poderia deixar de ser, foi saudado com entusiasmo por revisionistas, socialdemocratas e todo tipo de defensores da política de colaboração de classes do governo. Setores intelectualizados da pequena e média burguesia, defensores de primeira hora dos governos petistas, apresentam o tal pacto proposto por Dilma como panacéias que irão definitivamente salvar o Brasil da crise em que se encontra. Nada mais distante da realidade. Os pactos de Dilma Rousseff, além de genéricos, não vão à raiz dos problemas e não mostram para o povo como serão concretamente aplicados. É como se os graves problemas estruturais e seculares que o Brasil enfrenta fossem definitivamente sanados graças a decisões técnicas da presidência e uma união entre Governo, Estados e Prefeituras. Os “novos” passos do governo já começam errados, pois iludem as massas com discursos genéricos e demagógicos sobre “combate a corrupção” e “investimentos em educação”.

Os “novos” passos do governo são demagógicos, já que ao mesmo tempo em que clama por um pacto federativo pela “responsabilidade fiscal, que representa na prática cortes nos gastos públicos para pagar juros da dívida pública ao capital financeiro, fala em outros pactos genéricos, pela Reforma Política, essa grande esfinge que tratam como fosse a salvação da política burguesa e o fim da corrupção; pela Saúde, que fala em aumentar investimentos e contratar médicos estrangeiros para suprir a deficiência de atendimento causada pela distribuição dos profissionais; pela Educação, destinando o pouco que sobrou dos valores do petróleo e do Pré-sal à investimentos não identificados; e pelo Transporte público, que cria mais um Conselho e fala em números a serem gastos. Ou seja, segundo o discurso da presidente, a intenção é manter 49,6% do orçamento vinculados ao pagamento da dívida pública e ainda sim, aumentar os investimentos em saúde, educação e transporte. Um raciocínio que desrespeita a lógica matemática.

A intenção real é evidente: a partir dos temas genéricos explorados nas manifestações e justificados pela grande mídia monopolista, o Governo busca um pacto geral para tentar acalmar o clima de instabilidade criado no País, oferece “alternativas” para que tudo se mantenha como está. Apresenta a ideia de transformar a corrupção em crime hediondo, que ameaça uma punição mais severa aos corruptos, mas se cala sobre os corruptores e o sistema que produz tais relações necessariamente.

KKE

A situação impõe a necessidade da organização do proletariado no Partido Comunista

Frente à desorganização geral que pudemos constatar com a eclosão das manifestações, “o que fazer”? A fragilidade com que se apresenta atualmente a luta das massas parece confirmar as palavras que o camarada Lenin pronunciava há mais de 110 anos, quando dizia que “sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário”. Fica provado, portanto, que nenhum avanço é espontâneo. Somente um disciplinado e organizado partido proletário Marxista-Leninista poderá levar as lutas para a vitória, desviando-se dos caminhos das derrotas que hipoteticamente possam ser impostos pelo fascismo e o pacifismo. Ao contrário do que vociferam alguns intelectuais burgueses sobre uma suposta “Forma não-partido”, caminho seguro para o fracasso de qualquer experiência transformadora, nós reafirmamos a necessidade imperiosa do partido leninista para o avanço das revoluções no Brasil e em todo mundo. Fazemos um chamado para todos os marxistas-leninistas e para todos os comunistas em geral, para a necessidade de reconstruirmos o movimento comunista no Brasil, depurando o revisionismo e os oportunismos, de direita e de esquerda.

COLETIVO BANDEIRA VERMELHA

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4 Respostas to “O pronunciamento de Dilma e os descaminhos das manifestações”

  1. arlete guimarães 25 de junho de 2013 às 13:41 #

    Sou marcista-leninista e não sou ingenua nem seduzivel, sei que as manifestações que estão ocorrendo estão seguindo uma linha nacionalista,anarquista e assustadoramente, manipuláveljá que há um epssoal revisionista no meio dessa organização. Certameten que têm manifestantes marxistas-leninistas, mas as bandeiras reinvindicatórias são direcionadas ao governo do PT e, no inicio, pelo menos em Sampa, eram direcionadas ao governo do estado( psdb) E à prefeitura(PT), sobre a qeustão do aumeto das tarifas do transporte.Mas já sabemos que isso foi só uma espécie de estopim, mola mestra. Eu ,sinceramente, quero muitoa creditar no pdoer de mobilizaçãod a juventude( talvez a maior parte dos manifestantes) e gostei das declarações de dois lideres do MPL que foram ao Roda Viva. Mas uma pessoa humilde,uma mulher, talvez até usuária do programa Bolsa Familia,s entou ao meu eldo, no onibus, e desse a seguinte frase” querem tirar a Dilma”. Eu então pensei: mas eu nãoq uero tirar a Dilma eacredito que tem mutia gente que nãoq eur.Não é esse o foco. Mas é fácil de perceber se temos uma mente um mínimo aberta ao conehcimento, que os aprtidos revisionistas querem tirar a Dilma e assim, estão ,juntamente com a direita( que não perderia essa por nada-ela é muitoe sperta),conduzindo de modo a isso tornar-se realidade|( tirar a Dilma), e a paalvra impeachement estava lá em algum cartaz. E tirar a Dilma,agora, antes do processo eleitoral, nãos endom pelas urnas, só pode ser pro dois modos: impeachement ou golpe. Para mim as duas opções são péssimas. Então, apesar de achar fantástica,umv erdadeiro fenômeno essa manifestação de jovens( 300,000 nas ruas não é algo que passe batido)e gostaria,sim, mutio, que eles estivessem sendo orientados por um Partido Comunista.Mas a realidade é outra, a continuação das manifestações com aumento expressivo de pessoas nas ruas, protetando agora, mais especificamente, contra a PEC37( quando há tantas outras pecs e projetos de lei absurdos no parlamento)me deixa de pé atrás uma vez que toda essa celeuma contras a PEC37 é porque convencionou-se ou foi feito um trabalhom de convencmento de que o PT quer a aprovação da Pec 37 paa se vingar das condenações do Mensalão.Aí fica tudo confuso.Quem são verdadeiramente os manifestantes? O que eles querem?

  2. arlete guimarães 26 de junho de 2013 às 09:41 #

    Peço desculpas aos leitores pela imensa troca de letras nas palavras que compõem meu texto-comentário.Inclusive logo no inicio, o correto é marxista-leninista.Não sei o nome técnico para essa troca de letras, não sei se é alguma deficiencia, mas,acontece com certa frequencia e no caso do comentário,eu não revisei.Mas o meu pensamento está claro, tenho certeza.

  3. lllllllll 26 de junho de 2013 às 10:56 #

    Se coadunarmos com a destruição do PT, estaremos destruindo a bandeira vermelha, as organizações de luta marxistas!

    • Eduardo 27 de junho de 2013 às 10:00 #

      Essas manifestações que estão se espalhando como um rastilho de pólvora, é a prova cabal de que esse sistema de exploração e opressão está caduco e tem de ser colocado no museu da história. A repulsa de manifestantes a presença de partidos e principalmente de bandeiras vermelhas, é a cegueira dos enfurecidos e cegos por não terem uma ideologia formada e veem o vermelho como PT e não diferenciam outras organizações e partidos. Alias o PT mancha a honra e a glória do vermelho, que tem um grande significado na luta e que ele o PT, não representa. Somado a isso os partidos oportunistas e eleitoreiros, que legitima essa falsa democracia em seus pleitos eleitorais e esse mar de gente pelas ruas do país é resposta a isso tudo e inclusive os mais de 35 milhões de pessoas que há muito não compactuam com essa farsa eleitoral.
      Quanto ao comentário acima, quero dizer que tanto a Dilma como o Lula, fazem parte desse descontentamento, pois enquanto a mídia venal aos interesses do povo os bajulam, dizendo que são campeões em popularidades e simpatia do povo, tentando afirmar que o povo esta melhor economicamente, vemos um povo empobrecido e um exercito de moradores em situação de rua crescente e uma classe média empobrecida,enquanto os banqueiros e magnatas enchem as burras de dinheiro. É contra essas mazelas que o povo se levantou, mas também há os que se aproveitam da situação e tentam desviar o foco e represar o rio o comprimindo novamente, por isso qualquer analise apaixonada e sem levar em conta a luta de classes será meras especulações regionais.
      Defender a “democracia e o Estado democrático de direito”, propalado e requisitado por muitos nessa atual ordem é defender os governos que e políticos que estão aí envolvidos nas corrupções e escândalos, pois todos foram eleitos pelo povo em um processo antidemocrático, já que é obrigatório. Deveríamos pensar um pouco mais nisso, antes de sair por aí defendendo esses partidos que há muito são rechaçados pelo povo, quero dizer que não sou anti-partido, mas nenhum desses que aí estão me representam e que o povo em sua maioria também os vê assim, por tanto é justa toda sua revolta, mesmo que ainda sejam manipulados a serem anti-partidários, não por sua culpa e sim de uma direita reacionária ORGANIZADA e FASCISTA, na qual inclui aí a despolitização das massas, muito alimentada pelo PT e seus lacaios, que só visam o parlamento e gabinetes, mantendo escravos políticos presos por um populismo barato.
      Só o povo e mais ninguém, pode por fim a tudo isso e não será obra do acaso, para isso ele se levanta em fúria, avança, recua, torna a avançar novamente, até alcançar os seus objetivos e para isso precisa forjar um movimento e lideranças realmente revolucionárias longe dos marcos desses partidos que aceitam passivamente a camisa de força desse velho e podre Estado burguês/latifundiário, que mata camponeses e indígenas na luta pela terra, coloca cada vez mais gente em situação de rua, além de patrocinar mortes com sua política de “higienização” das periferias, submetem os operários a regime escravo e a cativeiros nas obras do PAC, privilegia a máfia da FIFA e grandes clubes de futebol em detrimento aos mais elementares direito do povo: Saúde, Educação, Saneamento Básico, Emprego com Salários e condições dignas, Moradias, Transportes dignos e etc…
      Desculpem-me se alonguei, mas há um clamor, que em outrora fora para desviar o foco e prejudicar o povo, nesse momento há que tomar as ruas e praças, pois a situação já esta aí na ordem do dia e cabe a quem tem consciência de conscientizar os inconscientes, para não deixa-los presas fáceis dos oportunistas e reacionários,

      Saudações classistas,

      Magrão

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